O par EUR/USD registou ligeira valorização na segunda e na terça-feira, possivelmente como reação ao Imbalance 12, considerado altista. Assim, os compradores têm uma nova oportunidade de avançar em direção ao Imbalance 11. O Imbalance 11 continua a atuar como uma zona de resistência para o EUR/USD, enquanto o quadro técnico recente permanece bastante complexo e ambíguo.
No entanto, a questão não é apenas técnica. Por exemplo, os dados do mercado de trabalho e do desemprego dos Estados Unidos, divulgados na sexta-feira, foram ignorados — inclusive pelos vendedores, que vêm pressionando o mercado quase de forma contínua nos últimos dois meses. Isso significa que já não há interesse em vender o par e, consequentemente, comprar o dólar? Pelo menos na ausência de uma nova escalada da guerra no Oriente Médio?
De facto, até quando o dólar dos EUA poderá continuar a valorizar-se apoiado apenas no conflito no Oriente Médio? Um ano?
Todo o movimento de valorização do dólar americano nas últimas 4–5 semanas foi impulsionado pela geopolítica. Agora, os traders preferem aguardar os desdobramentos, sem uma direção clara. Donald Trump alterna entre defender a reabertura do Estreito de Ormuz e transferir a responsabilidade para outros países. Em alguns momentos, fala de negociações bem-sucedidas com o Irã; em outros, ameaça destruí-lo. Esse comportamento reflete-se diretamente nos gráficos.
Tenho reiterado que não acredito no fim da tendência de alta, apesar do rompimento de mínimas relevantes para a estrutura de tendência. O movimento dos últimos dois meses pode evoluir para uma tendência baixista caso a geopolítica continue a sustentar fortemente o dólar. No entanto, neste momento, ainda duvido da capacidade dos vendedores de manter pressão contínua por um período prolongado. Um novo avanço do dólar só será possível se a geopolítica continuar a favorecer fortemente os vendedores. E, como já mencionado, isso exigiria não apenas um cenário tenso no Oriente Médio, mas uma deterioração contínua.
O quadro técnico começa a transformar-se e torna-se particularmente interessante. Em primeiro lugar, o preço pode em breve reagir ao Imbalance 11. Essa seria a segunda reação, que poderá ser mais fraca — ou até não ocorrer. Ainda assim, importa destacar que a tendência de alta permanece intacta e que, na região do Imbalance 11, poderá formar-se apenas um sinal de venda.
Em segundo lugar, o preço pode reagir ao Imbalance 12, gerando um sinal de compra dentro de uma tendência de alta. Outro ponto relevante são as possíveis varreduras de liquidez das últimas três oscilações ascendentes, que podem coincidir com a reação ao Imbalance 11.
Assim, ainda é cedo para afirmar que os compradores estão a lançar uma ofensiva em larga escala, mas essa possibilidade existe. A condição-chave é a concretização de um cessar-fogo entre Washington e Teerã.
O fluxo de notícias desta terça-feira foi bastante limitado e, após os dados divulgados na sexta-feira e na segunda-feira, não eram esperados movimentos significativos decorrentes de mais um relatório dos Estados Unidos. Os traders continuam a concentrar-se quase exclusivamente na geopolítica e aguardam, neste momento, uma nova decisão de Donald Trump.
Foi estabelecido um novo prazo nas negociações com Teerã para 7 de abril, após o qual poderá ocorrer um ataque devastador ao Irã. Assim, Trump poderá optar por prolongar o calendário das negociações ou avançar com uma ação militar.
O cenário ainda favorece os participantes com viés altista, e nem mesmo o início da guerra no Oriente Médio foi suficiente para os enfraquecer. Em termos estruturais e globais, as políticas de Trump — que provocaram uma queda significativa do dólar no ano passado — permanecem inalteradas.
No curto prazo, o dólar pode fortalecer-se num contexto de procura por ativos de refúgio, mas esse fator não deverá sustentá-lo indefinidamente, pois depende da continuação da escalada do conflito no Oriente Médio. Não existem, neste momento, outros vetores sólidos de suporte para a moeda americana. Ainda não acredito numa tendência de baixa sustentada. O dólar recebeu apoio temporário, mas permanece a questão: o que permitirá aos vendedores manter pressão no mercado?
Calendário econômico para os EUA e a zona do euro:
- Zona do euro – Variação nas vendas no varejo (09:00 UTC).
- EUA – Ata do FOMC (18:00 UTC).
No dia 8 de abril, o calendário econômico apresenta dois eventos de menor importância. Espera-se que o impacto dessas notícias sobre o sentimento do mercado nesta quarta-feira seja fraco.
Previsão para o EUR/USD e dicas de negociação:
Na minha opinião, o par continua na fase de formação de uma tendência de alta. O contexto das notícias mudou drasticamente de direção há quatro semanas, mas a tendência em si ainda não pode ser considerada totalmente anulada ou concluída. Portanto, no curto prazo, os traders precisam de novos padrões e sinais para formular previsões de curto prazo e abrir posições.
No futuro próximo, os vendedores podem receber um sinal no desequilíbrio 11, mas se a situação geopolítica não piorar além dos níveis atuais, o sinal pode não se concretizar. Os compradores, por outro lado, podem buscar um sinal no desequilíbrio 12, o que poderia permitir a abertura de posições de compra com um alvo próximo a 1,1670.